A excelência da Fazenda Kabocla


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Responsabilidade social, respeito ao meio ambiente e todo cuidado possível para evitar as perdas durante a colheita são as marcas registradas da Fazenda Kabocla, situada no Distrito de Irrigação Jaguaribe-Apodi, em Limoeiro do Norte. A produção de ata, também conhecida como pinha ou fruta-do-conde em outras regiões do País, é referência no Estado e ocorre durante os 365 dias do ano.

Isso, graças ao rodízio da terra, que é dividida em quatro quadrantes, iniciativa do engenheiro agrônomo Daniel Vidal de Souza, dono do empreendimento, criado em 1995 com recursos próprios. Enquanto um lote encontra-se em desfolha, um outro está na época da colheita.

“Nós optamos pela ata por ser um fruto conhecido e apreciado em todo o Brasil. Observamos que o fornecimento, entretanto, era irregular e os frutos não tinham qualidade. Daí resolvemos investir na atividade, obedecendo o que, para nós da Kabocla, são princípios básicos, como a qualidade do produto, a regularidade na oferta, a segurança alimentar para o consumidor e nossos funcionários satisfeitos e produtivos, recebendo tudo o que a legislação trabalhista lhes faculta”, garante Daniel.

A responsabilidade social começa pelas condições de trabalho. “Temos todo o respeito para com nossos funcionários. O nosso refeitório, por exemplo, tem o necessário para que se faça as refeições. Prova maior disso é que eu almoço e janto nele. Para mim, isso não representa custo, e sim investimento. A minha despesa com mão de obra é alta, em torno dos 50%”. Daniel conta com a colaboração de técnicos e tecnólogos. A mão de obra especializada é local, toda formada pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE) de Limoeiro do Norte.

Conforme Daniel, o índice de perdas da ata na região chegava a quase 50%. “Isso acontece com a ata de sequeiro, que é colhida inadequadamente, o acondicionamento não é o ideal e, muitas vezes, ela é transportada a granel, o que ocasiona um problema mecânico, pois uma vai batendo na outra e ocorre um prejuízo estético muito grande. O que fizemos: passamos a procurar entender a filosofia da planta. Além de evitar todos esses problemas citados, identificamos o momento em que ela fica vulnerável à broca para agir a tempo de eliminá-la”. O gerente da Fazenda Kabocla, engenheiro agrônomo Álvaro Guimarães, cita, além da polinização artificial, a poda controlada como fator responsável pelo sucesso do empreendimento. “Esse tipo de procedimento diminui o porte da planta. Se crescer muito, o fruto vai para cima, já que ele procura o sol. A colheita fica mais difícil e a queda compromete o fruto. Além do mais, teríamos que usar escadas, multiplicando por quatro não só a mão de obra como o desperdício, que ficaria acima dos 30%”.

Os cuidados não param por aí. Cada fruto é retirado com o uso de uma tela de polietileno. Em seguida, é colocado numa caixa que também está protegida por uma camada do mesmo material, o que impede a chamada perda mecânica. Até mesmo a temida cochonilha, uma praga que devasta plantações inteiras, não tem vez ali na Fazenda Kabocla. “Como só usamos inseticida em último caso, a norma aqui é colher os frutos que estão sendo atacados pela praga para lavá-los. A simples pressão da água retira a cochonilha sem qualquer prejuízo”, garante Álvaro Guimarães.

As “abelhinhas” têm uma função importante. É assim que são chamadas as funcionárias, em número de 15, que trabalham realizando a polinização artificial. Elas vão de planta em planta e fazem a tarefa que deveria ser das abelhas. Com um detalhe: de posse de uma prancheta, anotam tudo que ocorre com aquela planta. “Depois, nós jogamos os dados no computador e podemos analisar o rendimento. Através do relatório diário de campo, no fim da tarde, sabemos o que precisa ser feito, quais cuidados determinada planta necessita e qual o momento certo da colheita”, explica Álvaro

O trabalho é feito a cada dez dias num hectare, de segunda a sexta. “Ele é dividido em 16 linhas. De manhã, são polinizadas oito linhas; à tarde, as oito restantes”, conta Álvaro. Daniel revela que tem um mercado fiel, mas que pretende expandi-lo. “Queremos destacar o nosso diferencial para mostrar aos nossos parceiros que vale a pena investir num produto um pouco mais caro, mas que respeita o meio ambiente, os trabalhadores e evita ao máximo as perdas”. (FM)

DIÁRIO DO NORDESTE

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