Castro Pinto é nome de biblioteca pública em Cajazeiras. Homenagem do prefeito Antônio Quirino de Moura (1973-1976), que a construiu e inaugurou. Não tenho lembrança se questionaram a escolha. Antônio Quirino pode muito bem explicar as razões de sua preferência por um filho da litorânea cidade de Mamanguape.

João Pereira de Castro Pinto nasceu em 1863. Formou-se em direito no Recife, na mesma turma de Epitácio Pessoa (1886). No livro História da Faculdade de Direito do Recife, Clóvis Bevilaqua fez este registro: Representou a Paraíba no Congresso Nacional e foi seu governador sempre com grande distinção. Orador brilhante, erudição notável, figura de destaque.

Castro Pinto foi deputado estadual, deputado federal, senador da República e presidente da Paraíba (1912-1915). Sua ascensão ao governo estadual ocorreu em meio ao processo de conciliação das oligarquias que dominaram a Paraíba de 1890 até 1930. Álvaro Machado firmara-se como grande chefe, a partir do golpe que alçou o marechal Floriano Peixoto à presidência da República (1892). Em parceria com monsenhor Walfredo Leal, Álvaro dominou a política paraibana até sua morte em janeiro de 1912. A conciliação veio quando eclodiu o movimento da salvação nacional, contrário às oligarquias estaduais, sobretudo no Nordeste, com a eleição do general Dantas Barreto ao governo de Pernambuco, desalojando Rosa e Silva do poder. Na Paraíba, os chefes das oligarquias fizeram um acordo que resultou na eleição do então senador, Castro Pinto, para governador. Por isso, e dada a ligação de Epitácio com o presidente da República, general Hermes da Fonseca, o salvacionismo não obteve apoio na Paraíba para a candidatura do coronel Rego Barros.

Castro Pinto governou sob tensão.

Nos 40 anos da Primeira República, afora o atípico governo do presidente João Pessoa, talvez tenha sido a mais complicada, politicamente. O acordo de 1911 não durou sequer o quatriênio (1912-1915), cheio de permanente desconfiança entre as facções. Água e azeite não se unem. Então, os dois grupos oligárquicos foram para o confronto nas eleições de janeiro de 1915. Justo aí, cresceu para a história a figura de Castro Pinto, que se comportou como magistrado. Veja só, em tempo de eleição a bico de pena e atas falsas, ele presidiu a eleição sem pender para os condores (epitacistas) ou os bacuraus, (walfredistas).

Foi esse o último gesto político de Castro Pinto.

Advogado, intelectual, erudito, ele estimulou um clima favorável às letras e às artes na Paraíba. Fundou a primeira biblioteca e divulgou autores locais. Encerrado o longo processo eleitoral, com a vitória da chapa do grupo de Epitácio Pessoa, Castro Pinto se licencia e, em seguida, renuncia ao mandato de presidente do estado. Viaja para o Rio e aguarda um emprego vitalício federal. Para isso, foi necessário criar um cargo específico para ele. O senador Pedro da Cunha Pedrosa apresentou emenda a um projeto de lei, em tramitação no Senado, criando um cargo de Distribuidor para servir de distribuição dos papéis e documentos entre os dois Ofícios do respectivo Registro.

O presidente Venceslau Brás colocou o retrato na moldura. Castro Pinto, longe da política e da Paraíba, até que enfim, entregou-se à leitura dos seus bons livros, aos quais denominava como seus melhores amigos, como anotou em suas Memórias o senador Cunha Pedrosa. Castro Pinto morreu em 1944, 30 anos antes de ser nome de biblioteca em Cajazeiras!

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