Estivemos juntos, meu colega de duas profissões, Engenharia e Direito, e irmão de caminhadas, Stanley Lira, na Procissão de Nossa Senhora de Fátima comentamos o tema de minha última crônica, ou seja a falta de renovação nos quadros dos clubes de serviços, e, assim pensando, o próprio Stanley pode ser considerado um dos maiores “baluartes” de nossa comunidade, já que além do Rotary, pertence à Maçonaria e ainda é presidente da Cervarp, três entidades que entre outras coisas, dão muito trabalho.

O eterno problema, que não é específico de nossa comunidade, se repete em várias comunidades como a nossa e ainda mais as menores, vou exemplificar, com o exemplo do Lions de Ipaumirim, que a gente foi à sua fundação, sendo o sino de lá sido doado pelo Lions Clube de Cajazeiras, e que entre outros “leões”, estava o pai de nosso Marcílio do Detran, e que nessa época, eu que era um estudante em Recife participei da farra, de uns dois dias pelo menos, em que a gente bebia nas casas dos novos membros, e depois que aquela geração passou, pode até eu estar errado, mas nunca mais tive nenhuma notícia da existência desse clube em nossa cidade vizinha.

Outra história que a gente não pode esquecer, e a do Clube Primeiro de Maio. Enquanto vivia em nossa cidade o “baluarte maior” do Primeirão, o empresário Raimundo Ferreira, era uma maravilha, pois a gente dançava “com macaco”, sem
encostar nas meninas de família e tirava o desconto (uns sarros maravilhosos, e com sorte, algo mais), nas frequentadoras com menos “pedigree”, que as do Tênis, que eram as domésticas e as filhas das famílias da periferia; tinham um importante papel social, no sentido da preservação da “honra” das nossas mais bem aquinhoadas frequentadoras do Tênis Clube. E ainda os shows dos “artistas populares”, como Waldick Soriano e outros que lá se apresentavam. Vi um show inesquecível de Alternar Dutra, na última vez que aqui esteve antes de sua morte prematura, em que cantou “Sentimental” e o “Troco” para delírio da plateia. Bem senhores, aquela casa de alegria popular e sincera “caiu por terra” no sentido físico do termo, deixando uma lacuna enorme na nossa comunidade. Tudo isso por falta de administração e de alternativa de sucessão nos quadros, em que os menos competentes ou mais mal intencionados assumiram o poder e o clube foi demolido. Não fosse a AC2, que assumiu o Tênis Clube, seu destino seria semelhante.

Agora, esse não é o destino inexorável de nossas entidades e eventos. Existem outros exemplos cujo desfecho difere com os nossos de forma extraordinária. Ontem mesmo, (uma terça-feira), eu assisti a um show da banda Skank, e de outras
bandas na Noite do Reagee da Expocrato, que contava com a presença de milhares de pessoas.

Então me recordei, e já escrevi sobre isso, que alguns amigos do Ceará, Orós e Fortaleza, passavam a Semana Universitária aqui em Cajazeiras, e depois iam para a Exposição de Animais do Crato e a gente inclusive ficava gozando: o que
vocês vão ver lá, boi, e vaca; aqui pelo menos tem mulher…

Pois bem, aquele evento similar ao nosso hoje é “O maior evento sócio-cultural do interior do Nordeste, enquanto nossa Semana Universitária, não mais é promovida, acabou, e porque? Uma estrutura séria, dinâmica e profissional assumiu e trabalha durante o ano todo, com vistas a realização do evento, tanto na parte da exposição propriamente dita, e especialmente na parte social, que que consegue trazer as melhores banda do nosso país para uma cidade situada a poucos quilômetros da nossa.

Profissionalismo, é o que faz a diferença, tanto lá, existindo, como cá, faltando. Aí os baluartes nem são necessários.

Fico.

P.S. – Dedico essas mal traçadas a Dra. Maria de Fátima Gomes de Souza, que não gostou de eu haver taxado os rotarianos de “múmias”, poderia dizer que seriam fósseis; mas é exatamente o motivo que me leva a escrever essas bobagens, causar algum tipo de reação, indignação, ódio, etc., que tenha o condão de retirar nossa comunidade da letargia de cidade do interior decadente em que acho que ela se encontra. Espero sinceramente ouvir mais criticas. Fica meu carinho.

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