A corrupção anabolizada


Quando do final do governo Collor, perto de seu impeachment, ele convocou Jarbas Passarinho, um velho expoente da ditadura, para ser ministro. Não vamos alongar comentários sobre esse fato naquele tempo, mas fica a frase famosa daquele que foi quase tudo em nosso país: “Governar é escolher o melhor do presente, e aproveitar do passado o que ainda pode ajudar”, ele, coronel, que votou pelo AI 5, voltava a desempenhar um ministério na Nova República (nem tão nova nem tão republicana, como estamos a ver). Pois seguindo o raciocínio desse grande ministro de vários governos, conduziu, até que o presidente a quem servia foi impedido, seu ministério com a competência com que o tornou uma das maiores competências dos tempos da ditadura, muito além da República das Alagoas, pequena e incompetente que o precedeu.

Hoje, na administração Temer, se instalou alguma coisa que pode ser considerada pior que o começo de Collor, com esses ministros e homens de confiança e essas malas de dinheiro, apartamentos recheados de fortunas, um “homem de confiança” do Presidente andando na rua com bolsas com meio milhão de reais, congresso com desvarios de corrupção, o próprio Presidente indiciado por “formação de quadrilha”, o mercado persa de “compra de votos de deputados”, vendo tudo isso com uma visão perspectiva, se chega a uma única conclusão é de se esperar que esse “povo” não me parece que esteja capacitado para governar nosso país, infelicidade nossa.

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Agora como se chegou a esse estado lamentável?

Resposta, aqui, em nossos municípios. Não pense o caro leitor que esse pessoal começou enchendo apartamentos de dinheiro; começaram com coisas muito menores, tipo comprando vereadores para votar nos projetos de prefeitos. Aquela cena de quase vinte anos de um cidadão funcionário dos Correios, pegar R$ 2.000,00, e como se fosse um guardanapo e enfiar no bolso, é muito mais corriqueira, cotidiana do que se possa imaginar, e muito mais enraizada na nossa democracia do que podemos à primeira vista achar.

Esse apartamento, de Geddel, a sala de Sérgio Cabral, a bolsa de Loures, até o “pixuleco” do tesoureiro do PT, e seus assemelhados, são na verdade, versões anabolizadas da “laminha” da operação Andaime, das farrinhas nas nossas churrascarias, dos “por fora”, para fazer reformas de colégios com material de terceira e cobrar mais do que de primeira, das diárias para quem não viajou, da bola para os guardinhas, e por aí vai.

Existe uma corrupção nossa de cada dia, mas não é todo mundo que participa, o povo, nunca e alguns funcionários, talvez até a maioria, não está inserida nessa farra do boi, mas são os “mal sucedidos” os “bestas”, e também, como já o disse no começo dessas mal traçadas, existem nos altos escalões pessoas honestas e competentes, além de Passarinho, posso citar um Pedro Simon, e seu voto de pobreza, um Nélson Jobim, que alçou quase todos os cargos da nação, e ainda é respeitado, e outros.

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Descendo para o âmbito do município, também existem tais quadros, mas esses raramente são chamados a exercer algum papel, especialmente se houver dinheiro pelo meio, assim, todo o país algum dia vai ter que acertar contas com o passado corrupto.

Esperemos que o quanto antes, e o que podemos fazer no momento, sempre é fazer nosso dever de casa.

Senão a próxima geração de líderes será mais corrupta que essa atual. Imagino o crime organizado governando o país, um pesadelo dos piores, é só cruzar as mãos como estamos fazendo.

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