A convicção de que não precisa mais guardar as aparências

A COLUNA DE RUI CÉSAR VASCONCELOS LEITÃO

Tudo já acontece sob a luz dos holofotes. O que antes era feito às escondidas, porquanto seria entendido como algo reprovável, hoje se faz de forma explícita. Pouco importa agora o que possam pensar. A estratégia bem montada já alcançou um estágio que não há nada mais a esconder. Os objetivos estão consolidados. Há um entendimento no núcleo dos vencedores de que nada pode alterar o caminho a ser seguido.

A rigor não existe porque temer reações iradas, não farão a menor diferença. Como diria na linguagem dos jovens: “está tudo dominado”. Passa longe qualquer sentimento de constrangimento. Manter as aparências? Para que mais? Sequer há necessidade de fingimento. Pode se dizer até que ninguém foi enganado. Os acontecimentos refletem o que estava prognosticado desde antes, inclusive pelos próprios atores do processo.

Também não se pode falar de que foram vítimas de discursos ilusórios. Podem apontar outros defeitos, menos o de que foram ludibriados pela propaganda. Lamentos por equívocos cometidos não terão mais qualquer efeito prático, na cabeça dos idealizadores do plano. Dificilmente haverá oportunidade para fazer o caminho da volta diante do abismo, a julgar pelo desenrolar dos fatos. Não é complexo ter a noção dos próximos passos. Eles são evidentes.

Todavia, ainda que os triunfadores estejam esbanjando convicções de força e poder, não há porque os que se mantêm acordados, se postarem resignados na aceitação do que lhes vem sendo imposto. Não há batalha invencível. E talvez esse convencimento expresso de que agora podem tudo, às claras, revele-se o “calcanhar de aquiles” deles. A vida segue, não obstante as manipulações e as táticas óbvias de aproveitamento de um trauma social momentâneo.

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