A confirmação da expectativa

A COLUNA DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

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[dropcap style=’box’]C[/dropcap]ajazeiras é uma cidade interessante. Durante a maior parte do ano, a não ser que você tenha alguma para fazer, e eu tinha, pois durante a safra de algodão, era botando as máquinas para funcionar, depois nos tempos da fiação, consertando e regulando o maquinário, pois eram máquinas antigas que demandavam uma manutenção constante, mas para o grosso da população, não acontecia nada de novo, era tudo meio parado, quase andando.

Agora quando chegavam os tempos de festa, e digo, o Dia da Cidade, o sete de setembro, e a Festa da Padroeira, a cidade se acendia como uma lâmpada, e muitos acontecimentos sucessivos e até no mesmo horário acontecia, lembro me perfeitamente que um conterrâneo que há pouco nos deixou, o ex-reitor da UFPB, José Leopoldo de Souza, haviam nada menos de três eventos no mesmo horário em que ele era homenageado. Então quem via aqui nesse tempo, ficava imaginando que existia uma Cajazeiras, frenética, de uma dinâmica enlouquecedora: festas, coquetéis, paradas, desfiles, inaugurações, tudo ao mesmo tempo, e depois desse relativamente curto período de agitação, voltava-se tudo à mesma mesmice de antes, a cidade, de uma Quinta marcha, reduzia para a Primeira, e tudo voltava a mesma dinâmica de antes.

Esse ano não foi muito diferente; a outra sexta-feira, teve a festa dos Sete Candeeiros, a Feijoada dos Amigos, depois, no dia 21 de agosto foi o lançamento do livro da ACAL – Academia Cajazeirense de Artes e letras, no dia 22, o desfile das escolas municipais alusivo ao dia da Cidade, e no dia 23, as homenagens ao transcurso dos cem anos de José Rolim Guimarães. E nesse meio tempo, várias festas, até a última, o Baile do reencontro, com a participação do conjunto “The Fevers”, que segundo quem foi, terminou no raiar do dia. Foi festa para quem tinha preparo, tanto físico, quanto disposição e fígado.

Agora, vou me reportar a dois eventos que eu participei efetivamente, o lançamento do livro da ACAL, e o desfile do Dia da Cidade, que prestou uma, e o adjetivo não podia ser outro, uma maravilhosa homenagem a minha genitora Íracles Brocos Pires, Ica.

Vamos ao primeiro evento, o lançamento do livro. O nosso problema nacional é a perda da nossa memória histórica, pois bem, o livro lançado dia 21, vem em parte preencher, pelo menos em termos de nossa cidade, parte dessa lacuna, pois cada acadêmico tinha como tarefa primeira junto à Academia, que escrever um trabalho sobre seu patrono, ou como no meu caso, minha patronesse, que não podia ser outra senão minha mãe.

Mas vendo o restante da obra, o leitor, juntamente com as novas gerações que nos sucederem, vai ter à sua disposição, todo um levantamento sobre as figuras mais relevantes de nosso passado, que ao lado dos nossos fundadores, Mãe Aninha e Padre Rolim, mais uma plêiade de figuras extremamente interessantes que aqui viveram, e em seu conjunto, constituíram a fama de nossa terra, uma iniciativa mais que louvável, que eu quero citar apenas dois nomes, o Presidente Frassales, e o Secretário Francelino Soares, sendo obrigado a deixar de lado muita gente boa e importante que compõe a ACAL. Estamos de parabéns.

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Outro fato, e esse que me fala bem mais alto à minha pessoa e à minha família, foi o desfile do Dia da Cidade, que homenageou minha genitora, Ica, que teve o título de “Nas mágicas luzes da ribalta: ICA, a diva do teatro cajazeirense”, eu que sou suspeito para dizer, mas digo assim mesmo, foi o melhor e mais criativo desfile que essa cidade já assistiu bastante diferente, e para melhor dos desfiles predecessores, com história inteligível, com estrutura de escola de samba, inclusive com um samba-enredo fantástico na minha opinião. Talvez Ica estivesse, mas nós, seus descendentes, certamente não estejamos à altura de tão grande homenagem.

Fica o nosso agradecimento, meu e da família de Ica primeiramente ao Prefeito José Aldemir, nosso gestor e principal patrocinador desse desfile, que sem seu aval, este não teria acontecido, à doutora Paula, nossa Primeira-Dama, a Socorro Delfino, a Secretária de Educação, pelo seu empenho e dedicação, e a Ubiratan de Assis, Secretário da Cultura, e de maneira toda espacial ao extremamente criativo diretor desse desfile, Kennedy Carvalho, que espero, tenha realizado o, como ele me confidenciou no ano passado “o desfile de sua vida”. A todos fica nossa imorredoura gratidão por tão grande feito, particularmente essa homenagem aos 40 anos do falecimento de nossa homenageada.

Fica nosso carinho.

No outro dia, 23 de agosto, tenho a registrar a comemoração do centenário de nascimento de nosso grande advogado, Secretário de Estado, e grande pai de família José Rolim Guimarães, grande vulto de nossa história que sua família vaio comemorar na sua terra; um reconhecimento mais que merecido, mesmo para mim, que pouco tive a oportunidade de o acompanhar sua trajetória, mas sou amigo de todos os seus filhos.

Havia assunto para pelo menos três crônicas, mas fico por aqui.

P.S. – dedico essas linhas à Ana Carla Guimarães formada em enfermagem, filha caçula de Dr. José Guimarães, que num lamentável momento de esquecimento, deixei de cita-la na crônica que escrevi homenageando seu pai. Fica a tardia reparação.

ELIANE BANDEIRA

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