A boa expectativa

A COLUNA DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

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[dropcap style=’box’]V[/dropcap]oltei a Cajazeiras no ano de 1981, vim dar uma força no nosso negócio familiar de uma algodoeira que estava para ser entregue à Cocepa – Cooperativa central da paraíba, que era dirigida pelo corruptíssimo Secretário de Agricultura daqueles tempos o famoso Marcus Barachuy, que considerou mais interessante comprar a Algodoeira que foi da Clayton, por considerar as instalações mais adequadas, ou porque a propina era maior.

Assim, a família foi obrigada a tocar essa empresa, a Galdino Pires, descapitalizada, e por três anos de secas consecutivas, 81, 82 e 83, ano em que eu vi o porão do Açude Grande virar campo de pelada. Então, veio 1984, e houve uma grande safra, em que conseguimos reverter todas as expectativas, e voltar ao topo das algodoeiras da cidade. Depois desse feito, nem até hoje, sempre esbarrei na máxima dos Evangelhos: em que Cristo tinha sido acusado por seus conterrâneos de Nazaré e levado a um precipício para ser jogado de lá: “Ninguém é profeta em sua terra”. Assim por essas e por ouras, eu nunca me vi reconhecido por nada que eu fizesse, quer no meio profissional, empresarial, nem no âmbito familiar. No ano em que atravessávamos essa maior seca do século passado, dizem e eu acredito, por artes desse mesmo Secretário Brachuy, veio o Bicudo do Algodoeiro, a viajar mais de 2.500 Km, e de Campinas, estado de São Paulo, surgiu na Paraíba, num campo experimental em nosso estado, o que trouxe consigo a extraordinária cifra de sumirem 2.000.00 de empregos diretos em todo o Nordeste, e finalmente inviabilizar o cultura do algodão e com ela, as culturas associadas, como a pecuária de corte. Foi a maior catástrofe que eu já presenciei.

Para criar uma alternativa à cultura do algodão, eu juntamente com Hélio Pires Ferreira, implantamos a primeira fiação de Cajazeiras, a Catex, que primeiramente oferecia um sobre preço ao algodão que já era escasso, e fabricava o fio grosso utilizado nas tecelagens de São Bento; foi uma espécie de revolução, e daqui para Sousa, existem quatro fiações, enquanto o nosso poderoso centro regional, Juazeiro do Norte, não dispõe de nenhuma indústria desse tipo. De minha parte, acho que fiz história. Agora reconhecimento mesmo, nunca me fizeram. Meu nome foi recusado no clube de Serviço de que meu pai era fundador, o Rotary, apesar de apresentado por uma das mais extraordinárias figuras que já viveram aqui, seu Eudes Cartaxo. Fui considerado uma espécie de marginal. Problema do Rotary.

Eu tenho um parente, Diogo Pires Maia, que hoje é gerente do Banco do Brasil em João Pessoa, que era tratado da seguinte forma: Tirou dez, não fez mais do que seu dever, tirou nove recebia reprimenda oral, e de oito para baixo era na peia. Graças a deus, ele conseguiu superar isso tudo e hoje é um homem de sucesso era “a pedagogia da época”.

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Agora de uns tempos para cá, pode ser que alguma coisa tenha mudado, e particularmente esse ano, como um milagre, todas as expectativas se reverteram, milagrosamente, primeiro eu fui aclamado membro de nossa Academia cajazeirense de Artes e Letras, mesmo por ser filho de quem sou,  e como meu “confrade” Gildemar Pontes disse, “por causa de Mainha”, o que acho que é verdade, mas ninguém por aqui tem uma “Mainha” igual a minha, assim como o próprio fato de se ter formado uma academia de Artes e Letras aqui, que tanto eu e muito mais gente como o próprio Gildemar e Ubiratan, sempre achamos que Cajazeiras estava devendo esse título de “terra da Cultura”, em termos de produção cultural, agora essa academia, se bem conduzida, pode recolocar nossa terra no seu devido lugar de destaque.

Outra. Agora no Dia da Cidade, vai ter um desfile em ritmo de samba homenageando Íracles Pires, Ica, ou “Mainha”, e segundo eu vi as fantasias, o enredo e tudo mais, deve ser coberto de êxito. Tanto minha irmã como nosso primo Marden Matos Braga, se deslocaram dos grandes centros aonde moram e voltaram às origens para assistir sua parenta ser homenageada, o que acho uma justa homenagem a uma filha da terra. Ficam as melhores expectativas, e uma espécie de sensação de que eu, minha mãe e nossa família estão sendo reconhecidos.

Vamos esperar e se possível recolher os frutos desse tempo.

Nosso problema é que enquanto Cajazeiras fica cada vez maior e mais complexa, continuamos sendo tratados como um filho rejeitado: perdemos esse ano a Vara do Trabalho e a Receita Federal; aos olhos do nosso Governo Federal estamos como que encolhendo, enquanto como cidade, estamos na realidade crescendo e nos desenvolvendo, basta ver a quantidade de cursos superiores que aqui estão instalados.

Meus agradecimentos antecipados.

ELIANE BANDEIRA

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