A Academia de Artes e Letras de Cajazeiras


EDUARDO PEREIRA

Nascida de um colégio, banhada por um açude e educada por padre, só poderia decorrer em berço que emanasse educação. Refiro-me à cidade de Cajazeiras-PB que, em contramão com as diretrizes do atual governo federal em recuo ao estímulo à cultura, projeta sabedoria com a ideia concreta de uma Academia de artes e letras.

Um grupo de intelectuais abnegados, distante de vaidades, vislumbrou que o slogan “Cajazeiras, cidade que ensinou a Paraíba a ler” carecia de repaginação histórica. Não é só ensinar, transmitir conhecimento, mas estender e impregnar literatura e artes em suas variações.

A ACAL – Academia Cajazeirense de Artes e Letras, estava predestinada quando o primeiro curso superior da cidade foi exatamente o de letras, capitaneado por Padre Gualberto – sempre um educador religioso – instigando inconscientemente em suas raízes essa Academia.

Em exercício de imaginação vejo que a gramática grega escrita por Padre Rolim já evocava semente de manifestação literária e artística para seus pósteros. A formação do mestre estava enraizada em paideia, palavra que na Grécia antiga expressava formação humanística completa do homem.

Os organizadores da Academia pensaram de forma afoita. Adotaram o modelo da Academia Francesa de Letras, a origem de todas demais academias mundo a fora. Se é para fazer, que se faça com estilo. Certíssimo.

Seus integrantes tem uma boa produção literária. Levantamento rápido que fiz dos perfis dos acadêmicos divulgados no semanário impresso cajazeirense, o perene Gazeta do Alto Piranhas, número 1068, de 24 a 30 de maio de 2019, uma centena de livros já foi publicada. Sem contar os que estão prestes a sair, os que estão engavetados amadurecendo e os projetos em andamento pendentes de pesquisas aprimoradas e brecha no agendamento da vida cotidiana de seus autores. Sem falar na vasta produção de artigos publicados em periódicos dos mais distintos recantos.

Também é relevante a produção de filmes e cds. Fiz essas referências em decorrência de conversas amistosas com vários acadêmicos.

Para melhor dinamismo requer-se a construção de uma página na internet com todas suas informações alcançadas pela instituição, a exemplo da Academia Brasileira de Letras ou qualquer Academia estadual. Se é que isso já não é ponto pacífico da diretoria. Eu, particularmente, me cadastrei no site da ABL já algum tempo e recebo via e-mail a divulgação de seus eventos.

Não vou aqui elencar o que a ACAL tem que projetar para si e para a comunidade cajazeirense porque não vou ensinar reza ao padre, pois a diretoria da instituição é formada por pessoas cultas e bastante interessadas em levar muito a sério esse projeto e distante de egos inflados. Espero.

Sei que o rol de críticas à entidade faz parte da cena. Uns alegam/alegarão por que fulano de tal não foi convidado, e porque sicrano está lá. Isso é natural como em qualquer grupo de pessoas que una em torno de si um objetivo. E, ademais, que sejam bem-vindas as críticas. O senso comum diz que nos engrandecemos focando o possível ponto de equilíbrio em diversidades.

Nunca tinha visto juntos tantos intelectuais cajazeirenses por metro quadrado na festa de instalação da ACAL. De todos os matizes criativos. Foi bastante aprazível.

Chamou-me atenção a sofisticação acadêmica da locução latina sob a sigla ACAL: “ad perpetuam rei memoriam”. Por ignorância recorri ao meu Dicionário de Sentenças Latinas e Gregas, de Renzo Tosi, editora Martins Fontes, que significa: “para a lembrança perpétua do fato”, que era utilizada a partir do século XIII como protocolo inicial das bulas papais solenes.

Assim seja.

EDUARDO PEREIRA É CAJAZEIRENSE RADICADO EM BRASÍLIA (DF)

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