[CRISTOVAM TADEU] Cajazeiras, meu humor


cristovam

Entrei pro teatro paraibano de vez mesmo em 1979, no grupo oficial do Theatro Santa Roza, e foi ao lado de “feras” como Lucy Camelo, Pereira Nascimento, Luis Carlos Cândido e o meu honrado mestre Ednaldo do Egypto que dei os meus primeiros saltos na comédia paraibana. Faltava alguma coisa mais ousada: um espetáculo solo.

Ao conhecer essa galera que citei outros amigos foram chegando e aos que mais me acheguei foram os de Cajazeiras que aqui já moravam, como Buda Lira e Ubiratan di Assis, o Bira. Esses dois caras foram uns quase irmãos que conquistei debaixo das luzes da ribalta e afogando cerveja/rum/uísque/cachaça nas mesas de bar onde as discussões eram calorosas e deliciosas.

Numa dessas fui convidado pra um desses festivais multiculturais em Cajazeiras chamados de Semana Universitária, onde por 6 ou 7 dias, cenas, shows, música, e rum/cachaça/cerveja, eram os pilares de jovens cheios de ideias e ideais, muitos deles simpáticos ao regime cubano/russo, pois o Brasil ainda vivia sob os olhares dos militares.

Início dos anos 80. Foi aí que “nasci” em Cajazeiras. Meu pai nasceu lá, de verdade, de uma família vinda de Umari, no Ceará. Meu avô foi um dos pedreiros que construíram a catedral da cidade e ganhou uma hérnia pelo esforço ao colocar a bola azul no alto da torre.

Pra não morrer de inveja da Maranguape de Chico Anysio ou da Sobral do Didi Mocó que tanto recantavam, inventei Cajazeiras pra ser a cidade cenário das minhas anedotas. Isto porque sentia a força cultural da cidade que “ensinou a Paraíba a ler”. Lá em Cajazeiras conheci gente de potencial cultural enorme como Eliézer Rolim e tive uma paixão arrebatadora pela atriz Marcélia Cartaxo, depois de ver Beiço de Estrada, espetáculo marcante desses jovens cheios de energia criativa. Nele, conheci quase toda a “Lirolândia” como carinhosamente chamamos os batalhadores da cultura daqui e de lá com sobrenome Lira (Soia, Nanêgo, Buda, Bertrand, Sávio … ), meus amigos até hoje.

Na segunda Semana Universitária, da qual participei em 1982, já ensaiava um espetáculo solo, mas me faltava coragem de subir no palco. Pois a coragem me veio pela força da oportunidade e fundou a minha vida artística como humorista. Na falta de um espetáculo que não chegou a tempo em Cajazeiras, me chamaram pra “tapar o buraco” da noite.

Enfrentei aquela plateia sozinho, contando piadas, causos e cantando acompanhado do violão de Bebé de Natércio. Pronto: virei comediante e passei a colocar Cajazeiras nas minhas estórias e histórias. Para melhor caracterizar o personagem inventei uma cidadania cajazeirense, embora os anais da Maternidade Cândida Vargas, em João Pessoa, registrem meu natural aparecimento.

No entanto, Cajazeiras foi responsável pelo “nascimento” do humorista Cristovam Tadeu que muita gente hoje conhece. Disso eu morro e vivo de orgulho!

CRISTOVAM TADEU É HUMORISTA
CORREIO DAS ARTES - ANO LXIV - Nº 7 - SETEMBRO/2013

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