2010 – o ano que não terminou


Allysson Teotonio

Eclosão social, caos, crise, pânico, ódio e revolta são algumas palavras que invadem diariamente as redes sociais da internet, os jornais e os programas de rádio e TV na Paraíba. Fala-se com tanta veemência e repete-se tanto o discurso que, se você não tiver senso crítico, acaba acreditando que esse clima de terror existe mesmo no nosso Estado.

A artilharia é pesada, é diária, é orquestrada, nasce a cada segundo, a cada palavra, a cada byte. E, por trás disso tudo, o que existe realmente é um jogo cruel com fins políticos e eleitoreiros, que finge não ver as coisas boas e só realça os temas polêmicos. Por trás disso tudo, o que existe mesmo é uma tentativa de desestabilização do Estado democrático de direito, promovida por gente que não poupa sentimentos, perspectivas e vontades populares.

Por trás da teoria do caos, que você não vê nas ruas em cidade nenhuma da Paraíba, até porque ele não existe, há um complô de poucos, uma corrente de amigos, um trem da alegria que virou tristeza e que perdeu o bonde da história, um grupo unido, coeso e focado na disputa eleitoral de 2012 e 2014.

Que a Paraíba tem problemas, isso não se pode negar. Problemas seculares, inclusive, que alguns querem que sejam resolvidos da noite para o dia. Alguns problemas, vale salientar, não resolvidos ou negligenciados por esse mesmo grupo que hoje tenta ser a palmatória do mundo, o dono da verdade, o caçador da mentira, que se diz santo e salvador da pátria.

Que a Paraíba tem problemas, todo mundo já sabe. Mas a grande maioria desse todo, que não vive o mundo cenográfico da política, também sabe que não existe eclosão social, não existe caos, não existe crise, não existe ódio e não existe revolta generalizados. Essa grande maioria sabe que existe uma parcela insatisfeita porque teve interesses contrariados. O que existe é um pequeno grupo que tenta incitar a população e os funcionários públicos, que não poupa nem os mortos na hora de defender seus vivos interesses.

A verdade, caro amigo, é uma só. Estamos vivendo ainda o ano de 2010, aquele que teria um final feliz para os atuais autores da teoria do caos e que acabou se transformando em um grande pesadelo, não para todos os paraibanos, mas para eles mesmos, criadores da eclosão social, do caos, da crise, do pânico, do ódio e da revolta. Eles não tem ideologia, são rebeldes de uma só causa: a deles.

O que estamos assistindo na Paraíba, nobre leitor, é a ditadura de poucos, que tenta se sobrepor à vontade de muitos, para voltar àquele tempo em que esses poucos se achavam senhores do nosso destino. Mas a Paraíba mudou. Com dificuldades a vencer, é verdade. Mas com legitimidade e respaldo popular. Por isso, não custa nada lembrar aos poucos: o que não vem do povo, da maioria, do desejo coletivo, não é democracia. É golpe.

Allysson Teotonio é jornalista, publicitário e blogueiro

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